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“Eu trabalho com imagens, mas me interessa sobretudo aquilo que circula através delas. as imagens são os lugares onde determinadas infraestruturas se tornam momentaneamente visíveis. uma fotografia, uma estrada, um arquivo, um servidor, uma fachada, um banco de dados, um canteiro de obras, uma rede social ou uma embalagem descartada pertencem ao mesmo universo. todos são dispositivos de circulação. todos armazenam, transportam, distribuem ou transformam alguma coisa: pessoas, mercadorias, informação, memória, desejo ou valor. vivemos num mundo em que as imagens deixaram de representar a realidade para se tornarem parte ativa de sua construção. produzimos imagens para existir socialmente. consumimos imagens para orientar comportamentos. armazenamos imagens para substituir a memória. trabalhamos para produzir imagens que alimentam plataformas que produzem mais imagens. nesse contexto, a imagem tornou-se uma infraestrutura. ao mesmo tempo, as infraestruturas passaram a produzir suas próprias imagens. satélites observam cidades. algoritmos observam usuários. câmeras observam ruas. plataformas observam comportamentos. o mundo passou a gerar representações de si mesmo em escala industrial. meu trabalho acontece nesse ponto de encontro. coleciono fragmentos desses sistemas. reorganizo fotografias, documentos, vídeos, resíduos gráficos, arquivos digitais e imagens encontradas para produzir situações de contágio. não para restaurar uma verdade perdida, mas para tornar visíveis as relações que conectam elementos aparentemente desconectados. a montagem funciona como uma máquina de associação. uma imagem não explica a outra. uma infraestrutura não explica a outra. elas entram em contato, contaminam-se mutuamente e produzem algo terceiro. o trabalho começa quando a imagem deixa de ser apenas imagem e a infraestrutura deixa de ser apenas infraestrutura.”

“I work with images, but I am primarily interested in what circulates through them. Images are the places where certain infrastructures become momentarily visible. A photograph, a road, an archive, a server, a façade, a database, a construction site, a social network, or a discarded package all belong to the same universe. They are all devices of circulation. They all store, transport, distribute, or transform something: people, commodities, information, memory, desire, or value. We live in a world where images no longer represent reality but have become an active part of its construction. We produce images in order to exist socially. We consume images to orient behavior. We store images to replace memory. We work to produce images that feed platforms that produce even more images. In this context, the image has become an infrastructure. At the same time, infrastructures have begun to produce their own images. Satellites observe cities. Algorithms observe users. Cameras observe streets. Platforms observe behaviors. The world has started generating representations of itself on an industrial scale. My work takes place at this point of intersection. I collect fragments from these systems. I reorganize photographs, documents, videos, graphic residues, digital archives, and found images in order to create situations of contagion. Not to restore a lost truth, but to make visible the relationships that connect seemingly disconnected elements. Montage operates as a machine of association. One image does not explain another. One infrastructure does not explain another. They come into contact, contaminate one another, and produce something third. The work begins when the image ceases to be merely an image and infrastructure ceases to be merely infrastructure.”