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O Mundo como Palco é um filme experimental desenvolvido a partir de imagens capturadas por câmeras de segurança públicas. Partindo da metáfora de Shakespeare do mundo como um palco, a obra investiga a vida contemporânea como uma condição de visibilidade permanente, na qual gestos cotidianos se desenrolam sob observação contínua. Organizado como uma instalação multicanal, o filme apresenta visões simultâneas provenientes de diferentes câmeras de vigilância, reproduzindo a lógica de uma sala de monitoramento onde imagens são observadas, comparadas e interpretadas. Fragmentos de textos de Shakespeare, combinados a manchetes coletadas em sites de notícias, compõem uma narração fragmentada que insere essas imagens em uma narrativa mais ampla sobre o cotidiano digital e hipervigilância .

Unportraits é uma coleção de não-retratos composta por imagens de pessoas anônimas capturadas pelas câmeras automatizadas do Google Street View. Ao invés de paisagens centrais ou monumentais, a série se dedica a corpos brasileiros registrados de maneira incidental por um sistema concebido para mapear territórios, não indivíduos. Tratadas como resíduos visuais de um dispositivo técnico, essas figuras aparecem desfocadas, cortadas ou parcialmente apagadas, evidenciando a forma impessoal com que determinadas populações são incorporadas aos regimes globais de visibilidade. A saturação cromática aplicada às imagens opera como um gesto de deslocamento, interrompendo a neutralidade estética da plataforma e reintroduzindo intensidade, ruído e excesso. Unportraits propõe uma leitura contracolonial do Street View ao revelar como esses corpos são vistos não como sujeitos, mas como efeitos colaterais de um sistema de captura que hierarquiza territórios e olhares.


Unportraits is a collection of non-portraits comprising images of anonymous people captured by Google Street View’s automated cameras. Rather than focusing on central or monumental landscapes, the series centres on Brazilian bodies recorded incidentally by a system designed to map territories, not individuals. Treated as visual residues of a technical device, these figures appear out of focus, cropped or partially erased, highlighting the impersonal manner in which certain populations are incorporated into global regimes of visibility. The colour saturation applied to the images functions as a gesture of displacement, disrupting the platform’s aesthetic neutrality and reintroducing intensity, noise and excess. Unportraits proposes a counter-colonial reading of Street View by revealing how these bodies are viewed not as subjects, but as side effects of a system of capture that hierarchises territories and gazes.


Coleção de retratos. 14×21 cm cada, impressão digital



Fotolivro. 135 páginas, impressão digital em couchê fosco, publicado por zero-Edições


Passantes é uma série de fotolivros em desenvolvimento que reúne imagens capturadas no Street View em diferentes capitais brasileiras. O projeto prevê a publicação de um volume para cada capital até 2030, formando uma cartografia digital do país construída a partir de imagens produzidas pelo construída a partir de imagens produzidas pelo Google, uma das principais infraestruturas de mapeamento e geolocalização do mundo. Ao reapropriar esse material, a série procura tensionar as relações entre território, representação e poder, evidenciando como paisagens e vidas cotidianas são continuamente capturadas, indexadas e incorporadas à bancos de dados que sustentam a economia digital contemporânea.

Cinzas de Sonhos é uma série construída a partir da refotografia de cenas cinematográficas tratadas como fragmentos descontínuos. As imagens têm origem em um arquivo recuperado de fotografias realizadas em 2015 com uma câmera digital de 10 megapixels, durante sessões de cinema domésticas. Revisitadas uma década depois, essas imagens passam a operar menos como registros de filmes específicos do que como vestígios de um olhar, de um dispositivo e de um momento técnico já desaparecido.

Cinzas de Sonhos é uma série construída a partir da refotografia de cenas cinematográficas tratadas como fragmentos descontínuos. As imagens têm origem em um arquivo recuperado de fotografias realizadas em 2015 com uma câmera digital de 10 megapixels, durante sessões de cinema domésticas. Revisitadas uma década depois, essas imagens passam a operar menos como registros de filmes específicos do que como vestígios de um olhar, de um dispositivo e de um momento técnico já desaparecido.

Não existe mais um mundo fora das imagens. Construído a partir de vídeos verticais apropriados de plataformas digitais como TikTok, Kwai e X, o filme atravessa guerras, enchentes, revoltas, acidentes, danças, receitas, exercícios físicos e performances cotidianas para revelar um regime de visibilidade contínua em que tudo se torna conteúdo. Catástrofe e entretenimento, morte e espetáculo, trabalho e lazer passam a circular sob a mesma lógica algorítmica, comprimidos em sequências de poucos segundos destinadas ao consumo incessante. Ao reunir fragmentos produzidos por milhões de usuários, a obra transforma o feed em paisagem e o doomscrolling em método de observação. O resultado é um retrato vertiginoso de uma sociedade que não apenas registra a realidade, mas a experiencia através de telas, onde cada acontecimento existe na medida em que pode ser filmado, compartilhado e reproduzido infinitamente.


There is no longer a world outside of images. Constructed from vertical videos sourced from digital platforms such as TikTok, Kwai and X, the film traverses wars, floods, uprisings, accidents, dances, recipes, physical exercises and everyday performances to reveal a regime of continuous visibility in which everything becomes content. Catastrophe and entertainment, death and spectacle, work and leisure all circulate under the same algorithmic logic, compressed into sequences lasting just a few seconds and intended for incessant consumption. By bringing together fragments produced by millions of users, the work transforms the feed into a landscape and doomscrolling into a method of observation. The result is a dizzying portrait of a society that not only records reality, but experiences it through screens, where every event exists only insofar as it can be filmed, shared and reproduced infinitely.


Video HD. 24m32s, cor, som, distribuído por Videographia>